Um assento pra ouvir

By Larissa Bueno - junho 07, 2020



Dentro de mim antes mesmo de entrar na sala de embarque estavam vários sentimentos que eu não fazia ideia de como não brigavam entre si, pois ao mesmo tempo que havia ansiedade, também tinha uma paz que eu jamais havia experimentado. Recarreguei novamente o site dos simulados na sala de embarque e continuei fazendo questões e mais questões dos quatro blocos que seriam a minha prova. A fila estava imensa, ainda no primeiro andar, ouvi rumores de que um avião estava em manutenção após ter dado algum prolema e vários voos foram cancelados, o que resultava no meu voo estar completamente lotado ainda na sala de embarque. 

A palavra era: confiante. Eu havia estudado, feito a minha parte, alcancei o ranking de 3° lugar no mês de novembro na plataforma de estudos, e ainda era o décimo segundo dia do mês. Mas a minha confiança obviamente não estava naquilo que eu havia feito e me esforçado para fazer, depositei-a em Deus, pois somente Ele poderia fazer algo melhor do que eu pensava e esperava que acontecesse. Parei por alguns minutos antes de finalmente entrar no avião e comecei a observá-lo pelo vidro da sala. Movimento vertical, guinada, aileron, era tudo o que eu conseguia destacar ao olhá-lo. Eu sinceramente esperava que aquele voo fosse o mais rápido de toda a minha vida e que eu conseguisse descansar no avião, afinal, eu não tinha dormido mais do que 4 ou 5 horas.

Não lembro direito o meu assento, porém, assim que cheguei até ele imaginei que teria problemas caso não tivesse cuidado. Fui alertada por um homem mais velho, da poltrona traseira de que a passageira do meio, que estava sentada ao lado do meu assento favorito da janela tinha passado por uma cirurgia recentemente e em hipótese alguma eu poderia esbarrar em sua perna. Por sorte, eu havia feito ginastica rítmica no meu ultimo ano do ensino médio, embora tivessem passado dois anos, ainda tinha o pouco que me restava de flexibilidade. Eu preferia até trocar o meu assento com ela, mas ela já estava bem equipada em seu assento, o que dificultou ainda mais. Com muito custo, consegui passar para o meu assento- porque os espaços entre as poltronas eram tão pequenos Senhor?- tentando ao máximo não encostar em sua outra perna, mesmo que ela não tivesse a machucado, preferi prevenir, já estava nervosa o suficiente com a prova, embora estivesse confiante, não precisava de mais uma coisa.

Ainda em terra, aguardando o fechamento das portas ela disse algo que não me pareceu especifico para alguém que me chamou muito a atenção, tanto que eu acabei me entrometendo, as vezes não é tão ruim como parece ser.  Lembro que foi algo relacionado ao medo de voar, e eu uma tão apaixonada pela aviação indo fazer a prova da Anac para comissária de voo resolvi puxar assunto com ela e ouvir o que ela tinha para falar. Começamos a conversar, e foi uma conversa bem saudável que acabou durando o voo todo, de quase duas horas. Conversamos sobre a profissão dela, como havia sido o acidente, sua família e compartilhei sobre o meu sonho de ser comissária e ela ficou encantada, me desejando uma boa prova e ao final parecíamos realmente amigas, embora ela tinha idade para ser a minha mãe.

Descemos do avião, ela seguiria estrada e eu passaria o dia inteiro naquele aeroporto por causa da prova mesmo que, depois tenha feito em 20 minutos. Mas algo ficou na minha cabeça, e até hoje me recordo das palavras da sua mãe, que estava no assento do corredor, ao lado da filha enquanto eu registrava o céu durante o voo. "Foi de Deus você ter sentado ao lado dela, para ela se distrair e não ficar com medo", ela estava bem apreensiva antes do avião decolar, ainda mais do que a mãe, que era uma senhora de idade, mesmo que já tivesse voado outras vezes e por mais que ela quisesse ter esse medo durante o voo, acho que ela esqueceu dele enquanto nos envolvíamos em uma conversa bastante interessante, pois ela tirou o foco da vista que a trazia medo e colocou-o na conversa que estávamos tendo mesmo sem eu precisar fechar a janelinha. Aquele assento era para ouvir, independente de quem tivesse sentado, era preciso para conseguir demonstrar segurança a ela, que vinha completamente de Deus.

Eu de fato precisava descansar mas talvez, se tivesse fechado os meus olhos e ignorado o que ela havia dito, que nem foi exatamente para mim, foi um comentário no ar, não teria como descrever essa situação e impulsionar você a dar ouvido as pessoas ao seu redor. As vezes, você nem vai precisar falar muita coisa, o simples ouvir, que é tão importante para o outro, pode ajudá-lo em relação aos medos presentes, a angustia, a ansiedade, o nervosismo e tantas outras coisas que todos nós sofremos. Pare e pense agora, talvez Deus esteja te colocando em um lugar, onde você gostaria de fazer algo por você, mas que na verdade precisa fazer pelo outro. E isso não vai te custar absolutamente nada a não ser um pouco mais de empatia e paciência. Um dia todos nós, vamos acabar precisando dessa mesma situação, em que alguém desconhecido precisa nos ouvir, somente por aquele momento e ser usado por Deus para transformar a situação do momento e o nosso dia.

O meu conselho de hoje é: ouça as pessoas, dê atenção, dê um minuto do seu tempo, o ouvir pode ter grande poder na vida de alguém que passa pelo seu lado todos os dias ou quem sabe uma unica vez na vida.

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Recomendo a leitura do post anterior da série #Junhotododia:

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Com carinho, Lari.

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